Alterações climáticas e alergias – epidemias preveníveis

Existem cada vez mais alergias!

É uma frase consensual. Fala-se, sente-se, conhece-se, demonstra-se. Um terço da nossa população sofre de doenças alérgicas. Asma, rinite, eczema, urticária, alergia a alimentos, a medicamentos, a insectos, são cada vez mais referidas e cada vez com maior gravidade. Algumas condições podem ser fatais.

E… a associação das doenças alérgicas é também muito frequente: a maioria dos asmáticos tem rinite alérgica e mais de um terço destes têm asma.

E… afecta a população de um modo transversal, desde a criança nos primeiros meses de vida até ao idoso

Muitos factores estão envolvidos na expressão das doenças alérgicas. As alterações climáticas também aqui fazem sentir a sua influência.

A acumulação dos gases que provocam o efeito de estufa, em especial relacionada com a utilização de combustíveis fósseis, provoca agressão directa no organismo humano, em particular na pele e nas mucosas, interface com o meio exterior. Mas condiciona também alterações no ciclo de vida das plantas – as épocas polínicas tendem a ser mais precoces e prolongadas, atingindo-se maiores concentrações atmosféricas de alergénios e, nas zonas mais poluídas, a interacção entre pólenes e poluentes condiciona maior agressividade dos alergénios, pois as alterações que ocorrem facilitam uma penetração mais profunda nas vias aéreas, estando estas já mais sensíveis devido ao efeito directo dos poluentes atmosféricos.

Também a exposição a insectos se tem vindo a modificar, em duração e qualidade, influenciando a distribuição de algumas doenças transmissíveis, mas justificando igualmente a ocorrência de maior número de reacções alérgicas a estes agentes, sendo estas também mais graves.

Aumento das concentrações de poluentes atmosféricos e aquecimento global, provavelmente são condições cíclicas. Mas a consciência sobre a sua ocorrência e implicações e, em particular, sobre a sua prevenção, só agora está intelectualmente acessível.

Por si, por nós, tentemos alterar a situação. O planeta merece-o.

Mas, no entretanto, que se melhore a qualidade de vida dos alérgicos, uma das situações de saúde epidémicas deste Século.

O diagnóstico está acessível mas não é habitualmente efectuado.

“Isso é uma alergia, isso passa”. Mas o “isso” tem nome: é asma, é rinite, é rinite e asma, é asma e eczema,…  E o “isso” com frequência não passa, pois é um problema frequentemente crónico, vem de há muitos anos, afecta-nos e à nossa família. E agrava, limita-nos. Não passa…

Procure ajuda e ajude. O controlo das situações alérgicas não é difícil, se existir diagnóstico, avaliação e educação. Evitar algumas exposições, promover alguns hábitos, usar alguns medicamentos, são a base de uma intervenção bem sucedida a um custo muito aceitável.

A falta de intervenção, quer no controlo das alterações climáticas, quer no controlo das doenças alérgicas, é que é claramente intolerável.

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